Oncologista Clínico
O que é?
O câncer de bexiga é um dos tumores mais comuns do trato urinário e ocorre com maior frequência em homens, especialmente após os 60 anos. O tabagismo é o principal fator de risco associado à doença, seguido pela exposição ocupacional a determinados produtos químicos, como aminas aromáticas presentes em indústrias têxteis, de borracha e de tintas. Seu comportamento pode variar bastante: alguns casos são superficiais e apresentam menor risco de progressão, enquanto outros podem invadir a musculatura da bexiga ou se disseminar para outros órgãos. Por isso, uma das etapas mais importantes da avaliação é identificar se o tumor é não músculo-invasivo ou músculo-invasivo, além de analisar fatores que ajudam a estimar o risco de recorrência e progressão.
Como oncologista clínico, tenho experiência no cuidado de pacientes com câncer de bexiga, contribuindo para uma avaliação individualizada e baseada em evidências para definir a melhor estratégia terapêutica em cada caso.
Quando é indicado?
No câncer de bexiga, o sintoma mais comum é a presença de sangue na urina (hematúria), que pode ser visível a olho nu ou aparecer apenas em exames laboratoriais. Outros sinais possíveis incluem:
- Aumento da frequência urinária;
- Urgência para urinar, muitas vezes confundida com infecção urinária;
- Ardência ou dor ao urinar (disúria);
- Dor abdominal ou lombar, mais comum em estágios mais avançados da doença.
Mesmo quando o sangramento acontece apenas uma vez e sem dor, oriento sempre a buscar avaliação médica, pois esse sinal precisa ser investigado com atenção e não deve ser atribuído automaticamente a causas benignas, como infecção urinária ou cálculos renais.
O diagnóstico costuma começar com avaliação clínica, exames de urina (incluindo citologia urinária, que pode identificar células suspeitas) e exames de imagem do trato urinário, como a uro-tomografia. A cistoscopia, realizada por um urologista, é um dos principais exames, pois permite visualizar diretamente o interior da bexiga e identificar lesões suspeitas. Caso indicado, o urologista pode realizar a ressecção transuretral do tumor de bexiga (RTU-B), procedimento que ajuda tanto no tratamento inicial quanto na obtenção de material para análise anatomopatológica. A definição do tipo do tumor, do seu grau (baixo ou alto grau) e da presença ou não de invasão da musculatura da bexiga é fundamental para orientar toda a conduta seguinte.
Tipos de intervenções cirúrgicas
A escolha do tratamento do câncer de bexiga depende, principalmente, de saber se o tumor é não músculo-invasivo ou músculo-invasivo, além de outras características, como grau histológico e presença de carcinoma in situ, que ajudam a estimar o risco de recorrência e progressão. Diante dessa variedade de cenários, converso com cada paciente sobre qual estratégia melhor se aplica ao seu caso.
- Tratamento inicial: quando há uma lesão suspeita, a ressecção transuretral do tumor é uma etapa importante. Esse procedimento permite tratar a lesão inicial e obter material para análise anatomopatológica, fundamental para definir o tipo do tumor, seu grau e a presença ou não de invasão da musculatura da bexiga.
- Tratamento local e cirúrgico: nos tumores não músculo-invasivos, a conduta pode incluir acompanhamento por cistoscopias periódicas e tratamentos locais, como a imunoterapia intravesical com BCG, conforme o risco de recorrência e progressão. Já nos tumores músculo-invasivos, o tratamento costuma exigir uma abordagem mais intensiva, que pode envolver cistectomia (retirada da bexiga), quimioterapia perioperatória e outras estratégias associadas.
- Tratamento sistêmico: em casos mais avançados ou quando há disseminação da doença, posso indicar quimioterapia, imunoterapia ou terapias-alvo, definidas de acordo com a extensão do tumor, características moleculares específicas e o perfil clínico do paciente.
Contribuo para uma condução criteriosa e baseada em evidências em todas as etapas do tratamento do câncer de bexiga, sempre buscando equilibrar eficácia oncológica e preservação da qualidade de vida.
Como é o atendimento?
Nos meus atendimentos em câncer de bexiga, começo com a revisão cuidadosa de todos os exames já realizados. Meu objetivo é confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da doença e identificar se há necessidade de complementar a investigação. Ao mesmo tempo, procuro evitar exames desnecessários ou que não mudariam a conduta, para que a avaliação seja completa sem comprometer a agilidade importante para o início do tratamento.
O cuidado com o câncer de bexiga tem evoluído de forma significativa com os resultados de novos estudos clínicos, especialmente no campo da imunoterapia e das terapias direcionadas a alterações moleculares específicas. Por isso, valorizo uma abordagem individualizada, considerando as características do tumor, o momento da doença e as condições de cada paciente. Em alguns contextos, informações adicionais, como DNA tumoral circulante (ctDNA) e DNA tumoral urinário (utDNA), podem contribuir para a tomada de decisão, sempre de acordo com as evidências disponíveis e com a utilidade real dessas ferramentas em cada caso.
Durante a consulta, procuro apresentar as possibilidades de tratamento de maneira clara e honesta, explicando o que pode fazer diferença na prática, inclusive quando a melhor conduta envolve observação e acompanhamento próximo em vez de intervenção imediata. Meu papel é ajudar o paciente a compreender suas opções, tomar decisões com segurança e seguir acompanhado ao longo de todo o tratamento.
Dr. Miguel Zugman
Oncologista Clínico
CRM-SP: 202.716 | RQE: 150.314
Sou o Dr. Miguel Zugman, médico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, instituição que também marcou a trajetória do meu pai e do meu avô. Ainda durante a graduação, tive experiências internacionais em Jerusalém e Londres, onde participei de pesquisa básica e conquistei minha primeira publicação científica.
Minha escolha pela Oncologia aconteceu cedo, quando acompanhei a rotina de oncologistas em um estágio no Hospital Nossa Senhora das Graças. Foi ali que percebi o quanto essa especialidade une raciocínio clínico, constante evolução científica e, acima de tudo, uma relação humana profunda com o paciente e sua família. Desde então, construí minha formação com residência em Clínica Médica pela EPM/UNIFESP e em Oncologia Clínica pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Atualmente, atuo em Oncologia Clínica no Einstein, atendendo pacientes com diferentes tipos de câncer, com especial interesse nos tumores geniturinários. Meu objetivo é colocar o paciente e sua família no centro das decisões, buscando um plano de tratamento individualizado, baseado em seus valores, prioridades e na melhor evidência científica disponível.
Além da atuação assistencial, tive a oportunidade de trabalhar por quase dois anos como Research Fellow no City of Hope, na Califórnia, integrando uma equipe de referência internacional em tumores geniturinários. Sou autor de mais de 20 artigos científicos publicados em periódicos internacionais e recebi reconhecimentos por pesquisas relacionadas ao câncer renal, sempre com o compromisso de trazer conhecimento atualizado e cuidado próximo para cada paciente.