Oncologista Clínico
O que é?
O câncer de rim, também chamado de câncer renal, está entre os 10 tipos de tumor mais frequentes no mundo, embora seja menos comum do que outros tumores sólidos, como os de próstata e mama. Sua incidência aumenta com a idade e é mais alta em homens, sendo influenciada por fatores de risco como tabagismo, obesidade, hipertensão arterial e histórico familiar da doença. Além disso, não se trata de uma doença única: existem diferentes tipos de câncer renal, com características próprias e respostas distintas ao tratamento. O subtipo mais comum é o carcinoma de células claras, mas há também os carcinomas de células não claras, como o papilífero e o cromófobo, que exigem avaliação cuidadosa e individualizada.
Como oncologista clínico, atuo no cuidado de pacientes com câncer de rim, com atenção à definição diagnóstica, ao perfil de cada tumor e às opções terapêuticas mais adequadas para cada situação.
Quando é indicado?
Na maioria dos casos, o câncer de rim não causa sintomas nas fases iniciais e acaba sendo descoberto de forma incidental em exames de imagem feitos por outros motivos, como uma ultrassonografia abdominal de rotina. Quando há manifestações, costumo observar:
- Sangue na urina (hematúria), muitas vezes indolor;
- Dor na região lombar ou abdominal;
- Perda de peso sem explicação, cansaço e febre persistente;
- Massa ou nódulo palpável no abdome, em casos mais avançados;
- Sintomas relacionados à disseminação da doença para outros órgãos, como pulmão e ossos.
Diante desse quadro variado, muitas vezes discreto ou ausente, reforço sempre a importância de investigar qualquer achado incidental em exames de imagem, mesmo na ausência de sintomas.
O diagnóstico costuma começar com exames de imagem, principalmente tomografia computadorizada ou ressonância magnética do abdome, que ajudam a avaliar o tamanho do tumor, sua localização e a possibilidade de acometimento de estruturas próximas ou de outros órgãos, além de orientar o estadiamento da doença. O PET-CT pode ser utilizado em situações específicas, mas não faz parte da rotina na maioria dos casos. Quando o tumor é localizado e há alta suspeita de malignidade, posso indicar a cirurgia mesmo sem biópsia prévia, permitindo a análise completa do tumor após a retirada. Em outros casos, especialmente quando o tratamento sistêmico é considerado antes da cirurgia, a biópsia pode ser necessária. Dedico atenção especial à correta classificação do tumor, que é o que orienta a definição da melhor estratégia terapêutica.
Tipos de intervenções cirúrgicas
O tratamento do câncer de rim depende do tipo de tumor, do estágio da doença, da localização da lesão e das condições clínicas do paciente. Como existem diferentes subtipos de câncer renal, com comportamentos e respostas terapêuticas distintas, defino a melhor estratégia sempre de forma individualizada.
- Tratamento cirúrgico: nos casos de doença localizada, a cirurgia costuma ser uma das principais opções, podendo ser feita por nefrectomia parcial (preservando parte do rim saudável) ou nefrectomia radical, muitas vezes por via laparoscópica ou robótica. A retirada do tumor permite não apenas tratar a lesão, mas também obter a análise completa do material, o que ajuda na classificação histológica e no planejamento terapêutico.
- Tratamento sistêmico: quando a doença está avançada ou disseminada, posso indicar terapias-alvo e imunoterapia, isoladas ou combinadas. A escolha depende do subtipo do câncer renal, da extensão da doença e das características clínicas de cada paciente, e a avaliação cuidadosa é essencial para definir a melhor sequência terapêutica.
- Outras abordagens locais: em tumores pequenos ou em pacientes com contraindicação cirúrgica, técnicas como a ablação percutânea ou, em casos muito selecionados, a vigilância ativa também podem ser consideradas.
Meu foco está sempre na correta classificação do tumor e na definição de uma estratégia terapêutica baseada em evidências e nas necessidades específicas de cada caso, incluindo o acompanhamento da função renal ao longo do tratamento.
Como é o atendimento?
Nos meus atendimentos em câncer de rim, começo por uma avaliação cuidadosa do diagnóstico, do subtipo do tumor e da extensão da doença. Essas informações são fundamentais, porque os diferentes tipos de câncer renal podem ter comportamentos distintos e exigir estratégias terapêuticas específicas, com impacto direto no prognóstico. Em alguns casos, também considero importante revisar lâminas com um patologista experiente, para confirmar a classificação do tumor com maior precisão.
Como alguns subtipos são menos comuns e podem estar associados a síndromes hereditárias, a avaliação genética pode ter papel relevante tanto na definição do tratamento quanto, em situações selecionadas, no aconselhamento de familiares. Por isso, analiso cada caso de forma individualizada, considerando não apenas os exames e características da doença, mas também o contexto de cada paciente e de sua família.
Durante a consulta, explico de forma clara as opções disponíveis, seus benefícios e possíveis efeitos adversos, incluindo o impacto de cada abordagem na função renal a longo prazo. Meu objetivo é construir, junto com o paciente, um plano de tratamento que leve em conta suas prioridades e expectativas, sempre com base nas evidências científicas mais atuais. Mais do que apresentar possibilidades, busco ajudar o paciente a compreendê-las, tomar decisões com segurança e sentir-se acompanhado em cada etapa do tratamento, inclusive no seguimento após a cirurgia ou a alta do tratamento sistêmico.
Dr. Miguel Zugman
Oncologista Clínico
CRM-SP: 202.716 | RQE: 150.314
Sou o Dr. Miguel Zugman, médico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, instituição que também marcou a trajetória do meu pai e do meu avô. Ainda durante a graduação, tive experiências internacionais em Jerusalém e Londres, onde participei de pesquisa básica e conquistei minha primeira publicação científica.
Minha escolha pela Oncologia aconteceu cedo, quando acompanhei a rotina de oncologistas em um estágio no Hospital Nossa Senhora das Graças. Foi ali que percebi o quanto essa especialidade une raciocínio clínico, constante evolução científica e, acima de tudo, uma relação humana profunda com o paciente e sua família. Desde então, construí minha formação com residência em Clínica Médica pela EPM/UNIFESP e em Oncologia Clínica pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Atualmente, atuo em Oncologia Clínica no Einstein, atendendo pacientes com diferentes tipos de câncer, com especial interesse nos tumores geniturinários. Meu objetivo é colocar o paciente e sua família no centro das decisões, buscando um plano de tratamento individualizado, baseado em seus valores, prioridades e na melhor evidência científica disponível.
Além da atuação assistencial, tive a oportunidade de trabalhar por quase dois anos como Research Fellow no City of Hope, na Califórnia, integrando uma equipe de referência internacional em tumores geniturinários. Sou autor de mais de 20 artigos científicos publicados em periódicos internacionais e recebi reconhecimentos por pesquisas relacionadas ao câncer renal, sempre com o compromisso de trazer conhecimento atualizado e cuidado próximo para cada paciente.