Câncer de Pulmão

Oncologista Clínico


O que é?

O câncer de pulmão está entre os tumores mais frequentes no mundo e é uma das principais causas de morte por câncer, com o tabagismo como principal fator de risco associado, embora a doença também ocorra, com frequência crescente, em pessoas que nunca fumaram. No entanto, não se trata de uma doença única. Existem diferentes tipos de câncer de pulmão, com características biológicas, comportamento e opções de tratamento bastante distintos. De forma geral, os casos são classificados em câncer de pulmão de não pequenas células e de pequenas células, sendo o adenocarcinoma e o carcinoma escamoso alguns dos subtipos mais comuns dentro do primeiro grupo. Hoje, a avaliação molecular do tumor também tem papel central na definição da estratégia terapêutica, muitas vezes mais determinante do que a classificação histológica isolada.


Como oncologista clínico, realizo uma abordagem individualizada, baseada em evidências e nas particularidades de cada caso.

Quando é indicado?

Os sintomas do câncer de pulmão podem variar conforme a localização e a extensão do tumor. Entre as manifestações mais comuns, costumo observar:

  • Tosse persistente ou com mudança de característica em relação à tosse crônica prévia;
  • Falta de ar (dispneia) e dor no peito, muitas vezes associadas a esforço;
  • Rouquidão e presença de sangue no escarro (hemoptise);
  • Perda de peso, cansaço ou infecções respiratórias recorrentes, como pneumonias que não resolvem completamente.


Em muitos casos, porém, a doença é identificada em exames feitos por outros motivos ou em programas de rastreamento com tomografia de baixa dose, indicado para fumantes ou ex-fumantes de alto risco, antes mesmo do surgimento de sintomas.


A investigação costuma começar com a tomografia computadorizada de tórax, que ajuda a avaliar a localização do tumor e suas características. O PET-CT e a ressonância magnética do cérebro também podem ser importantes para definir a extensão da doença com mais precisão, incluindo a pesquisa de metástases. A confirmação do diagnóstico depende da análise de uma amostra do tumor, obtida por biópsia, que permite identificar o tipo histológico e, em muitos casos, realizar testes moleculares. Hoje, exames como o sequenciamento de nova geração (NGS) ajudam a detectar alterações genéticas que podem direcionar terapias-alvo, além de marcadores como PD-L1, que podem influenciar a indicação de imunoterapia.

Tipos de intervenções cirúrgicas

A definição do tratamento do câncer de pulmão depende do tipo de tumor, da extensão da doença (estadiamento) e das características moleculares identificadas na análise do material tumoral. Por isso, discuto a estratégia terapêutica sempre de forma individualizada com cada paciente.


  • Tratamento local: nos casos em que a doença está localizada, o planejamento pode incluir abordagens com intenção de controle local, como cirurgia e radioterapia, conforme a avaliação do estágio e das condições clínicas do paciente.
  • Tratamento sistêmico: em muitos casos, especialmente nos tumores avançados, o tratamento pode envolver terapias sistêmicas. Entre as opções estão quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, escolhidas de acordo com o tipo histológico e o perfil molecular do tumor.
  • Avaliação molecular: nos casos de câncer de pulmão de não pequenas células, exames como o NGS ajudam a identificar alterações genéticas, como EGFR, ALK, ROS1, BRAF, KRAS, MET, RET, NTRK e HER2. Quando presente, uma dessas alterações pode direcionar o tratamento para uma terapia-alvo específica, com respostas frequentemente superiores às da quimioterapia convencional. Em outros casos, a expressão de PD-L1 também pode influenciar diretamente a indicação de imunoterapia.


Dedico atenção especial à correta caracterização do tumor, que é o ponto de partida para a escolha do tratamento mais adequado a cada caso.

Como é o atendimento?

Nos meus atendimentos em câncer de pulmão, uma das primeiras prioridades é garantir que o diagnóstico esteja bem caracterizado antes de definir o tratamento. Isso envolve integrar informações como o tipo histológico do tumor, o estágio da doença, os resultados dos testes moleculares e, quando indicado, a expressão de biomarcadores como PD-L1. Essa etapa é essencial, porque tumores que parecem semelhantes ao microscópio podem ter comportamentos biológicos muito diferentes e exigir tratamentos distintos.


Em alguns casos, também é importante discutir a melhor forma de obter ou preservar material adequado para os testes moleculares. Em situações selecionadas, a biópsia líquida pode ser utilizada para analisar alterações moleculares por meio de uma amostra de sangue, tanto no início da avaliação quanto ao longo da evolução da doença, especialmente quando o tecido tumoral disponível é insuficiente.


Durante a consulta, procuro organizar essas informações e explicá-las de forma clara, para que o paciente compreenda as opções disponíveis e o motivo de cada conduta. Acompanho de perto a rápida evolução do tratamento do câncer de pulmão, incluindo terapias-alvo e imunoterapia, com o objetivo de indicar a estratégia mais adequada para cada caso, sempre com base nas melhores evidências científicas disponíveis.

Dr. Miguel Zugman

Oncologista Clínico

CRM-SP: 202.716 | RQE: 150.314


Sou o Dr. Miguel Zugman, médico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, instituição que também marcou a trajetória do meu pai e do meu avô. Ainda durante a graduação, tive experiências internacionais em Jerusalém e Londres, onde participei de pesquisa básica e conquistei minha primeira publicação científica.


Minha escolha pela Oncologia aconteceu cedo, quando acompanhei a rotina de oncologistas em um estágio no Hospital Nossa Senhora das Graças. Foi ali que percebi o quanto essa especialidade une raciocínio clínico, constante evolução científica e, acima de tudo, uma relação humana profunda com o paciente e sua família. Desde então, construí minha formação com residência em Clínica Médica pela EPM/UNIFESP e em Oncologia Clínica pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.


Atualmente, atuo em Oncologia Clínica no Einstein, atendendo pacientes com diferentes tipos de câncer, com especial interesse nos tumores geniturinários. Meu objetivo é colocar o paciente e sua família no centro das decisões, buscando um plano de tratamento individualizado, baseado em seus valores, prioridades e na melhor evidência científica disponível.


Além da atuação assistencial, tive a oportunidade de trabalhar por quase dois anos como Research Fellow no City of Hope, na Califórnia, integrando uma equipe de referência internacional em tumores geniturinários. Sou autor de mais de 20 artigos científicos publicados em periódicos internacionais e recebi reconhecimentos por pesquisas relacionadas ao câncer renal, sempre com o compromisso de trazer conhecimento atualizado e cuidado próximo para cada paciente.