Câncer de Testículo

Oncologista Clínico


O que é?

O câncer de testículo é o tumor sólido mais comum em homens jovens, geralmente entre os 15 e os 40 anos, embora seja relativamente raro quando comparado a outros tipos de câncer. Fatores como criptorquidia (testículo não descido na infância), histórico familiar da doença e infertilidade prévia estão associados a um risco maior de desenvolvê-lo. Os principais tumores germinativos são classificados em seminomas e não seminomas, uma distinção importante porque influencia o comportamento da doença e a escolha do tratamento. Um dos aspectos mais marcantes desse câncer é sua elevada chance de cura, inclusive em muitos casos de doença metastática, graças aos avanços da quimioterapia baseada em cisplatina ao longo das últimas décadas.


Como oncologista clínico, tenho experiência no cuidado de pacientes com câncer de testículo, com atenção à definição precisa do subtipo, ao estadiamento e à indicação do tratamento mais adequado para cada situação, com base em evidências científicas e avaliação individualizada.

Quando é indicado?

O câncer de testículo costuma se manifestar, com mais frequência, como um nódulo ou aumento do volume de um dos testículos, geralmente sem dor, o que muitas vezes atrasa a procura por avaliação médica. Outros sinais possíveis incluem:

  • Sensação de peso ou desconforto na bolsa escrotal;
  • Dor testicular, presente em uma parcela menor dos casos;
  • Aumento ou endurecimento localizado, perceptível ao autoexame;
  • Em doenças mais avançadas, sintomas relacionados à presença de metástases, como dor nas costas, dor abdominal, tosse ou falta de ar.


Qualquer alteração persistente no tamanho, no formato ou na consistência de um testículo deve ser avaliada por um médico.


A investigação geralmente começa com exame físico e ultrassonografia dos testículos, exame de alta sensibilidade para identificar lesões suspeitas. A dosagem dos marcadores tumorais AFP (alfafetoproteína), beta-hCG e LDH é uma etapa importante tanto no diagnóstico inicial quanto no acompanhamento posterior, pois seus níveis ajudam a orientar o estadiamento e a resposta ao tratamento. Além disso, exames de imagem, especialmente a tomografia computadorizada de abdome e tórax, ajudam a avaliar a extensão da doença. A classificação entre seminoma e não seminoma é feita pela análise anatomopatológica do tumor, geralmente após a remoção cirúrgica do testículo, já que a biópsia prévia costuma não ser indicada nesse tipo de tumor.

Tipos de intervenções cirúrgicas

O tratamento do câncer de testículo depende do tipo de tumor, do estágio da doença e dos níveis dos marcadores tumorais, como AFP, beta-hCG e LDH. Como os seminomas e não seminomas podem ter comportamentos diferentes e respostas distintas às terapias disponíveis, defino a melhor estratégia sempre de forma individualizada.


  • Tratamento cirúrgico: quando há suspeita de tumor testicular, a orquiectomia radical inguinal (remoção do testículo) costuma ser uma etapa fundamental do tratamento. Além de tratar a doença local, esse procedimento permite a análise anatomopatológica do tumor, essencial para confirmar o diagnóstico e definir o subtipo.


  • Acompanhamento e avaliação da extensão da doença: após o tratamento inicial, exames de imagem e marcadores tumorais ajudam a definir o estágio da doença e a necessidade de abordagens adicionais. Em tumores em estágio inicial e de baixo risco, o acompanhamento cuidadoso (vigilância ativa) pode ser suficiente como estratégia terapêutica.


  • Tratamento sistêmico: quando necessário, especialmente em casos mais avançados ou com metástases, posso indicar quimioterapia, radioterapia (em situações específicas de seminoma) ou, em casos selecionados, esvaziamento ganglionar retroperitoneal. O câncer de testículo é um dos grandes exemplos de sucesso da Oncologia moderna, com elevadas chances de cura, inclusive em muitos pacientes com doença disseminada ao diagnóstico.


Baseio cada decisão terapêutica em uma avaliação criteriosa do subtipo tumoral, do grupo de risco e das particularidades clínicas de cada paciente.

Como é o atendimento?

Nos meus atendimentos em câncer de testículo, começo com uma avaliação detalhada do diagnóstico, incluindo a distinção entre seminoma e não seminoma, os níveis dos marcadores tumorais e a extensão da doença. Essas informações são fundamentais para definir com precisão o estágio, o grupo de risco e a estratégia de tratamento mais adequada para cada paciente.


Em uma doença na qual cada etapa do tratamento faz diferença, acompanho cuidadosamente a sequência dos exames, o momento ideal de cada intervenção e a resposta ao tratamento ao longo do tempo. Antes de iniciar a terapêutica, também considero aspectos importantes como a possibilidade de preservação da fertilidade, incluindo a orientação sobre banco de sêmen quando indicado, além de exames que ajudam a monitorar possíveis efeitos colaterais, como audiometria e prova de função pulmonar.


Durante a consulta, procuro explicar de forma clara o que está sendo feito e por qual motivo, para que o paciente e sua família compreendam cada etapa do caminho. Embora o diagnóstico naturalmente gere preocupação, vale lembrar que o câncer de testículo está entre os tumores com melhores resultados de tratamento na Oncologia atual, inclusive em muitos casos de doença disseminada. Meu papel é ajudar o paciente a atravessar esse processo com informação, segurança e acompanhamento próximo em todas as etapas, do diagnóstico ao seguimento de longo prazo após a cura.

Dr. Miguel Zugman

Oncologista Clínico

CRM-SP: 202.716 | RQE: 150.314


Sou o Dr. Miguel Zugman, médico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, instituição que também marcou a trajetória do meu pai e do meu avô. Ainda durante a graduação, tive experiências internacionais em Jerusalém e Londres, onde participei de pesquisa básica e conquistei minha primeira publicação científica.


Minha escolha pela Oncologia aconteceu cedo, quando acompanhei a rotina de oncologistas em um estágio no Hospital Nossa Senhora das Graças. Foi ali que percebi o quanto essa especialidade une raciocínio clínico, constante evolução científica e, acima de tudo, uma relação humana profunda com o paciente e sua família. Desde então, construí minha formação com residência em Clínica Médica pela EPM/UNIFESP e em Oncologia Clínica pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.


Atualmente, atuo em Oncologia Clínica no Einstein, atendendo pacientes com diferentes tipos de câncer, com especial interesse nos tumores geniturinários. Meu objetivo é colocar o paciente e sua família no centro das decisões, buscando um plano de tratamento individualizado, baseado em seus valores, prioridades e na melhor evidência científica disponível.


Além da atuação assistencial, tive a oportunidade de trabalhar por quase dois anos como Research Fellow no City of Hope, na Califórnia, integrando uma equipe de referência internacional em tumores geniturinários. Sou autor de mais de 20 artigos científicos publicados em periódicos internacionais e recebi reconhecimentos por pesquisas relacionadas ao câncer renal, sempre com o compromisso de trazer conhecimento atualizado e cuidado próximo para cada paciente.